24 de Março de 2015 por Redação Tracklist.

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Paul Van Haver, mais conhecido por Stromae, desembarcou no Brasil pela primeira vez para realizar dois shows no país. No último sábado (21), Stromae marcou presença no Rio de Janeiro para apresentação no festival Back2Black, que visa integrar e disseminar a cultura negra no Brasil, e um show solo na Audio Club em São Paulo no dia seguinte (22).

A nossa equipe esteve presente no segundo dia de show e faz um review do que rolou por lá.

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Mesmo 5 anos após ter emplacado seu hit de maior sucesso, “Alors on Danse”, nas paradas de sucesso em todo o mundo, a sensação da música francesa, Stromae, visitou o Brasil pela primeira vez em sua carreira.

O clima de apreensão por esse momento para alguns fãs já se observava na fila, onde jovens de diferentes idades marcaram presença logo no início da tarde em busca de um lugarzinho na grade para ficar cara a cara com o ídolo ou a chance de conhecer o astro pessoalmente. Dentre elas, estava Victoria, de 14 anos, que viajou de Curitiba com a sua mãe apenas para o show, e tem mais, segundo Victoria: “Esse não é o meu primeiro show dele, eu fui para Roma apenas para o ver, pois achava que ele não viria para o Brasil tão cedo, ou com medo de que talvez nem viesse”.

Sem atrasos, os portões da Audio abriram às 20hrs, e em menos de 40 minutos a casa estava repleta de formifans (como se denominam os fanáticos pelo Belga). A casa que suporta 4 mil pessoas e esperava cerca de 2 mil (segundo os seguranças), se tornou pequena para a euforia dos que estavam presentes.

Regada à música nos estilos Hip Hop, Rap e Dance, a própria casa de show fez a abertura do show por cerca de 2 horas com músicas que variavam dos anos 90 à atualidade. Ao redor era possível observar crianças e adultos, héteros e homossexuais, pessoas engravatadas e estilo swag. Frente à toda essa diversidade, uma coisa era possível observar: a animação em suas expressões e danças. Além disso, não havia só brasileiros no local, perceptivelmente se encontrava grupos de pessoas falando idiomas como o espanhol, italiano e claro, o francês.

Dentre essas pessoas, perguntamos a Michel, um francês em torno dos seus 25 anos, se ele estava passeando pelo nosso país e coincidiu de ter show do Stromae por aqui, alegremente ele respondeu: “Estou no Brasil há apenas 3 meses, vim a trabalho. Não só eu, mas toda a comunidade francesa dos arredores está aqui, isso nos faz sentir mais próximos de casa, apesar de sermos bem recebidos pelos brasileiros”. Acreditem, cerca de 60% das pessoas que lá estavam não eram brasileiros.

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Sem mais delongas, pontualmente Stromae tomou conta do palco às 22hs. Com um show de aproximadamente 1h40, abriu com uma de suas canções mais famosas (e a minha preferida) “Ta Fête”. Ovacionado a todo o momento, seguiu o show com “Bâtard” e “Peace or Violance” dançando e interagindo com o público. Dentre uma de suas interações perguntou se preferíamos francês ou inglês e com 90% de aclamação, francês foi o idioma escolhido para os comentários. Para isso, arriscou nas palavras em português “Tudo bem? E a família, amigos… tão bem? Você fala Francês? Português? Brasileiro? Inglês?”.

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A quarta música do setlist foi “Tous lês Mêmes”, cujo videoclipe aparece Stromae vestido de mulher e têm atualmente mais de 73 milhões de visualizações no Youtube. Seguiu o show com “Ave Cesaria”, “Quand c’est?” com um fundo psicodélico de patas de aranha e em seguida “Moules Frites”. Sem dar trégua ao Racine Carrée, as músicas da sequência foram “Formidable” e “Carmen”, sendo a segunda, baseada na ópera de mesmo nome de Georges Bizet.

As duas músicas que sucederam levantaram a casa como nenhuma outra. Para quem estava no camarote, teve a visão da pista inteira pular, dançar, cantar e marchar. Isso mesmo, marchar, ao som de “Humain a l’eau” que foi sem sombra de dúvidas a música em que Stromae mais se movimentou no palco. Talvez a música mais esperada da noite foi a próxima a ser tocada, “Alors on Danse” trouxe lembranças do deslanche do seu sucesso, bem como o verdadeiro terremoto naquela casa de show.

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Se até o momento, com quase 1 hora e 10 minutos de show tinha alguma pessoa desanimada (o que eu desconfio, e muito), a música seguinte faria qualquer um cantar sem medo de errar no Francês. “Papaoutai” trouxe à Stromae sua terceira ou quarta troca de roupa, chegou carregado ao palco, estático como um boneco e com o pijama semelhante ao do videoclipe. Emendado a Papaoutai, veio “Merci”, onde o belga agradeceu a todos, desde o público até a sua produção, o que levou cerca de 10 minutos até se despedir e encerrar a noite.

Sem pensar duas vezes, os brasileiros começaram a pedir “mais uma” e claro, como ele não entenderia o que estava sendo pedido, brincou perguntando se estávamos gritando por “Masuda”, um dos seus músicos, Yoshi (não o do Super Mario) Masuda. Em questão de segundos, Stromae abaixou o seu pedestal, pediu ao público para se manter em silêncio e que todos se mantivessem concentrados pois precisava de silêncio absoluto. Esse silêncio absoluto foi a entrada para “Tous lês Mêmes” a capella ,com a música apresentada sem qualquer tipo de masterização. Apenas ao som da voz e do estalar de dedos.

Ao terminar a música, Stromae agradeceu mais uma vez ao público, dessa vez junto aos músicos, sendo aplaudidos ininterruptamente.

Apesar de um ótimo show, Stromae deixou de tocar músicas do Cheese como “Te Quiero”, “Je Cours”, “Silence” e “Sommeil”, músicas também muito esperadas pelo público, mas, que com certeza, não o prejudicará caso retorne ao Brasil.

Por: Marcio Henrique.

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