29 de novembro de 2014 por Rodrigo Neves.

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Assim como se espera de um britânico, Jake Bugg subiu ao palco pontualmente e, sem meias palavras, iniciou o show e não deixou dúvidas: é um daqueles caras que, embora nunca admita, tem charme abrigado em seu aspecto marrento e intropectivo.

Talvez isso seja a causa – e que sinceramente me surpreendeu – do público ser composto quase que exclusivamente por adolescentes histéricas, acompanhadas pelos pais, que reagiam a cada troca de instrumento como se Bugg fosse uma boyband, mas fizeram um uníssono coro a cada música.

A voz anasalasa, a falta de empatia e a imunidade aos berros dos fãs que compunham o público, Bugg seguiu o show com uma genuína naturalidade e intimidade com sua guitarra e mesclou faixas dos dois álbuns e, sinceramente, não havia como diferenciar singles já que todas as faixas eram cantadas à plenos pulmões.

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De maior simpatia, a faixa-estrela ‘Two Fingers’ foi a grata surpresa ao vivo, soou ainda melhor e mais tônica do que no disco, assim como a também a balada ‘A song about love’ e a ‘Simple Pleasures’ em que Jake apresentou o talento com um solo de guitarra que enlouqueceu o público.

O cantor parece ter deixado a fase sombria de lado e apareceu no palco com uma atípica camisa mostarda, embora isso não conote interação, já que evidentemente ele queria fazer seu trabalho puro e direto e sair fora assim que pudesse.

Considerando que Bugg é fruto de uma nova leva quero-ser-Neil Young, não o descarto como promessa futura, o garoto tem talento e é um forte candidato para ocupação do gênero. Espero que a ordem natural de amadurecimento musical também seja acompanhada pelos fãs, que às vezes parecem objetificar o cantor ao invés de curtir seu trabalho.

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Cobertura por: Daniele Nascimento.

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